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Diário do Intercambista: 1 mês em Cape Town | Avenue English

Por Beatriz Valente

Belta, Instituto Semear, Avenue English, Quality English | 1 mês em Cape Town: Inglês + Acomodação

Quando cheguei na casa que seria meu lar por aquele 1 mês em Cape Town, minha “host mom”, uma senhora sul-africana gentil e cuidadosa, com um sotaque forte, me perguntou por que eu havia escolhido a África do Sul. Eu sorri, sem saber o que responder. Porque a verdade é que eu não tinha escolhido o país; o processo seletivo que fiz para ganhar a bolsa não informava, no momento da inscrição, para onde seria o intercâmbio. Respondi a ela, ainda com aquele sorriso de quem sente que algo grandioso está por vir, que eu não tinha escolhido aquele lugar, mas que ele tinha me escolhido por algum motivo que eu esperava descobrir ali.

Naquele mês, perdi a vergonha de falar inglês e mergulhei tanto na língua que, em poucos dias, já pensava e sonhava em inglês. No começo, tive medo de errar, pensava demais antes de falar e me sentia constantemente insegura. Mas, aos poucos, o inglês deixou de ser uma prova de capacidade e virou apenas uma ponte entre mim e o mundo. Acho que foi ali que entendi que fluência tem muito mais a ver com coragem do que perfeição.

Aprendi sobre humanidade, bondade e gentileza com tantas pessoas de tantos países diferentes que encontrei pelo caminho que percebi como é bom estar aberta aos encontros e não ter medo de ficar sozinha.


Vi Cape Town do topo da Table Mountain e aprendi que viver é muito melhor do que sonhar. Lá de cima, olhando uma vista que foi meu papel de parede por meses, senti pela primeira vez em muito tempo que eu estava completamente presente dentro da minha própria vida.

Apresentei músicas brasileiras na escola e em karaokês e relembrei o quanto a arte sempre foi um lugar de conforto pra mim. Como se, mesmo tão longe de casa, eu ainda carregasse comigo as partes mais intactas de quem eu era.

Eu desembarquei em Cape Town para passar 1 mês longe de tudo que me era conhecido: casa, fuso, família, língua, cultura. E, depois daquele mês, no último dia, eu chorava copiosamente porque finalmente tinha entendido o motivo daquele lugar ter me escolhido. A África do Sul me escolheu para me lembrar, da forma mais visceral e genuína possível, que sou livre. Livre do que me é conhecido, livre das minhas próprias crenças limitantes e medos, livre para fazer escolhas por mim mesma, livre para errar, livre para mudar as rotas da rotina, livre para confiar na bondade das pessoas… livre.

Quando me despedi da minha host mom, ela disse que era engraçado como eu simplesmente tinha combinado com a casa, com as trocas, com o cotidiano, com tudo. Talvez ela estivesse certa. A liberdade me cai bem mesmo.

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